Transição energética no transporte coletivo exige política pública estruturada, alerta VP da MobiBrasil

Durante o Fórum de Transição Energética do Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro-RJ), realizado no dia 3/2/26, a descarbonização do transporte público foi o tema central de debates que reuniram especialistas e lideranças do setor. Em sua participação, Niege Chaves, VP do Grupo MobiBrasil, enfatizou que a substituição de frotas por tecnologias limpas não pode ser encarada como uma iniciativa individual das empresas, mas sim como uma estratégia de Estado.
Para a executiva, a eficácia da transição energética depende de um tripé composto por planejamento, financiamento e coordenação entre o poder público, operadores e a sociedade. “Transição energética no transporte só funciona como política pública, não como aposta isolada”, defendeu Niege, alertando que a simples troca de tecnologia, sem uma base estruturada, é insuficiente para resolver os desafios do setor.
Niege Chaves utilizou a trajetória da MobiBrasil para ilustrar os perigos da falta de apoio institucional. Ela relembrou o projeto de ônibus movidos a etanol, iniciado em São Paulo em 2011, que, apesar de apresentar excelentes índices de redução de carbono, foi encerrado em 2016 por falta de escala e continuidade política. Segundo a executiva, a ausência de um compromisso de longo prazo transformou o que seria um avanço em um retrocesso operacional.
O desafio da eletrificação e infraestrutura
Ao comentar o cenário atual de eletrificação da frota paulistana, a VP do Grupo MobiBrasil reconheceu progressos, mas reiterou a necessidade de cautela. Niege apontou que decisões como a proibição do diesel devem vir acompanhadas de um plano robusto de infraestrutura e energia, sob risco de causar o envelhecimento da frota e a elevação dos custos operacionais.
Por outro lado, destacou que o modelo de subvenção adotado em São Paulo serve como exemplo positivo de como políticas claras podem conferir sustentabilidade econômica aos projetos no médio prazo.
O papel do gás natural na transição
O painel também contou com a perspectiva de Juliana Floro, da Naturgy, que apresentou o gás natural como um vetor de transição imediata e segura. No Rio de Janeiro, a infraestrutura já existente, com mais de 700 postos e garagens mapeadas para atendimento, favorece a adoção dessa matriz, que reduz em até 90% a emissão de materiais particulados. Além disso, o sistema permite uma integração futura com o biometano, garantindo uma migração automática para combustíveis ainda mais limpos conforme a disponibilidade da rede.
