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Paixão por carros resiste no Brasil e evidencia a urgência por um transporte público melhor

A relação entre o brasileiro e o automóvel particular permanece sólida, mas os dados recentes revelam que esse “apego” é, em grande parte, um reflexo das carências de infraestrutura urbana. De acordo com o Relatório Global de Mobilidade 2026 da Ipsos, 33% dos brasileiros consideram impossível viver sem um veículo próprio. No entanto, ao analisar os números mais de perto, percebe-se que essa dependência é um sintoma da falta de alternativas eficientes de deslocamento no País.

Embora 49% dos motoristas admitam que poderiam viver sem o automóvel, eles optam por mantê-lo por uma questão de escolha pessoal e conveniência. Esse dado sugere que, para convencer o brasileiro a deixar o volante, o transporte coletivo precisa oferecer uma experiência que vá além da simples utilidade, competindo com o conforto e a previsibilidade do carro particular.

A disparidade entre as áreas urbanas e rurais reforça essa tese: enquanto 60% dos moradores de zonas rurais veem o carro como indispensável, esse índice cai para 37% nos centros urbanos, onde a oferta de modais ativos e transporte público é maior. Fica evidente que, onde há investimento em alternativas, a dependência do automóvel diminui drasticamente.

O cenário para o transporte público encontra um horizonte promissor nas novas gerações. A Geração Z mostra-se significativamente mais aberta ao transporte coletivo (22%) do que os Baby Boomers (14%). Esse grupo, somado à população de baixa renda — que já divide sua preferência igualmente entre o carro (24%) e o transporte público (24%) — representa a base de usuários que o Brasil precisa fidelizar com urgência.

O relatório da Ipsos deixa claro: a “paixão” pelo carro no Brasil não é apenas emocional; é estrutural. Para que o País avance, o transporte público deve deixar de ser apenas uma opção de necessidade econômica para se tornar uma alternativa real de qualidade, segurança e eficiência, capaz de rivalizar com o desejo histórico pelo automóvel particular.

Apesar da paixão nacional por dirigir, o brasileiro demonstra estar cansado da insegurança viária. O levantamento aponta que 72% da população defende leis de trânsito mais rígidas e maior rigor nas estradas, um índice superior à média global de 66%. Além disso, 70% dos entrevistados aprovam limites de velocidade reduzidos em áreas residenciais para evitar sinistros.

Essa demanda por segurança – vale destacar – é um pilar fundamental para a melhoria do transporte público e da mobilidade ativa. Sem ruas mais seguras e uma fiscalização eficiente, a transição do carro para o ônibus, o metrô ou a bicicleta torna-se um desafio ainda maior para o cidadão comum.

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