Transição energética no transporte: Niege Chaves compartilha lições e desafios da MobiBrasil em entrevista ao Podcast do Transporte

Em entrevista ao Podcast do Transporte, no mês de fevereiro/26, a empresária Niege Chaves, vice-presidente do Grupo MobiBrasil, apresentou um panorama detalhado sobre a trajetória da empresa rumo à descarbonização.
Com um olhar crítico e ao mesmo tempo otimista, a executiva revisitou erros e acertos em experiências com diferentes matrizes energéticas — do etanol ao gás, até chegar à eletrificação.
Para Niege Chaves, a principal lição é que a transição energética só é viável quando construída de forma colaborativa entre o poder público, operadores e a sociedade.
Um dos momentos centrais da conversa foi a análise do projeto de ônibus a etanol em São Paulo, iniciado em 2011. A empresária explicou que a iniciativa não prosperou devido a fatores como a variação no preço do combustível, a dependência de peças importadas e mudanças repentinas nas diretrizes políticas da prefeitura.
Segundo ela, a tecnologia foi implementada antes que houvesse maturidade técnica, infraestrutura adequada e políticas de Estado que garantissem a continuidade do projeto.
Atualmente, a MobiBrasil realiza testes com ônibus a gás no Recife, apresentando um balanço positivo até o momento. No entanto, o foco das atenções está voltado para o cenário da eletrificação em São Paulo, processo que Niege Chaves define como “atordoado”, mas sem volta.
Entre os desafios citados no podcast, destacam-se a proibição abrupta de renovação da frota a diesel em 2023 — que causou o envelhecimento de mais de três mil ônibus —, atrasos na homologação de veículos articulados e a infraestrutura elétrica insuficiente nas garagens.
Confira o Podcast na íntegra:
Como estratégia para o futuro, a vice-presidente recomenda uma transição gradual, iniciando por veículos menores e com forte investimento em treinamento e infraestrutura de recarga. A empresa, inclusive, já estuda tecnologias como o BESS (sistema de armazenamento de energia por baterias) para mitigar os gargalos de alta tensão. A conclusão da empresária é clara: para qualquer matriz que substitua o diesel, é indispensável haver escala e responsabilidade compartilhada entre todos os atores do setor.
